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Não quero usar óculos

Não quero usar óculos

A Malasartes é a livraria da minha Infância. Dela e de muitos cariocas da mesma geração. Toda ida ao shopping acabava naquela pequena loja em tons vermelhos no terceiro andar.

Com seus bancos de ferro e almofadas quadriculadas, a Malasartes era o nosso cantinho da leitura antes ou depois do teatro, do almoço ou das compras.

Agora adulta, professora, blogueira e ainda muito leitora, resolvi fazer uma pesquisa de livros naquele lugar cheio de boas recordações.

Dentre outras preciosidades, encontrei o livro de hoje, ali misturado com os outros na prateleira, sem chamar muita atenção.

Enquanto ouvia as vendedoras decidindo o que colocariam na vitrine, pescava das estantes os peixes mais saltitantes, ou aqueles que só poderiam ser vistos com as minhas lentes.

Óculos para ficar invisível, óculos para não se sentir sozinho, para ver tudo ao contrário, pra sonhar acordado, para ver mais árvores ou para ter o mar perto de si. Não seria ótimo se fosse só colocar o acessório para ver as coisas de maneira diferente?

Não quero usar óculos é a história de um menino que é levado ao oftamologista e, não conseguindo ler as letras miúdas, é determinado a usar óculos.

Enquanto resiste à ideia e espera a chegada desse novo e desconhecido apetrecho, o menino sem nome faz uma viagem colorida e divertida imaginando suas futuras lentes.

 

“Agora estou à espera dos meus óculos novos, a imaginar como vão ser. Quero uns óculos especiais, diferentes dos de toda gente…

Seria bom ter uns óculos para andar à chuva

E uns óculos que me deixassem ver no escuro, lá onde os monstros se escondem. (…)

 

Acho que há sempre duas ou mais maneiras de ver a mesma coisa. Sem que isso signifique ver ao contrário.

Mas ver ao contrário, às vezes, também é divertido.”

 

Já encaminhei alguns alunos ao oftamologista, acompanhei a chegada dos óculos, lembrei-os do uso. Mas os olhos adicionais são sempre sempre cercados de resistência por parte das crianças (e dos adultos também). Alguns se sentem feios, outros incomodados, mas a maioria foge do uso, muitas vezes “esquecendo” ou dizendo enxergar sem ele.

No livro dos portugueses Carla Maia de Almeida e André Aletria (ilustrador por quem eu já tinha apreço), são criadas várias formas e funções para o desconhecido e rejeitado acessório. Com a leveza do texto e das ilustrações, podemos ajudar as crianças a aceitar melhor o uso dos óculos, levando a conversa por um caminho lúdico.

E mesmo que o pequeno não precise usar óculos, as criações dos autores são tão geniais, que a leitura vira uma grande e divertida brincadeira.

Boa leitura! E não esqueça seus óculos!

Não quero usar óculos

Carla Maia de Almeida e André Aletria

Editora Peirópolis

Sobre o autor

Isabella Zappa

Isabella Zappa

Pedagoga, psicopedagoga e mestre em Educação pela PUC-Rio. Atua como professora do Ensino Fundamental I e faz atendimento psicopedagógico de crianças com questões de leitura e escrita, usando a literatura infantil como aliada nesse processo.

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