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Lendo clássicos: Gulliver

Lendo Clássicos: Gulliver

 

Lendo Clássicos

Clássico é clássico e vice e versa. Há algum tempo eu já sentia buracos da Literatura clássica na minha formação. Decidi então, correr atrás do tempo perdido e organizar uma bela imersão por eles. Mas era preciso fazer escolhas. O que seria indispensável?

Para me guiar nessa corda bamba, tive como companheira Ana Maria Machado, que me presenteou com o seu enriquecedor “Como e por que ler os clássicos universais desde cedo”*. O livro é realmente uma bela viagem pelo mundo dos clássicos infantis, juvenis e adultos. É como comprar uma passagem de trem, onde vamos escolhendo as paradas, as vistas e as fotografias, orientados por um guia muito sabido e experiente. Além da nossa querida guia autora, nos acompanham nessa jornada, vários outros escritores trazidos por ela.

Gostei tanto dessa viagem, que estou me aventurando a ler a versão original de Dom Quixote. Logo logo ela aparece por aqui.

Mas o que faz de um livro um clássico universal?

Segundo Ana, os clássicos são uma herança, um tesouro produzido pela humanidade ao longo dos anos e ao qual nós temos direito. São livros eternos que não saem de moda. O primeiro contato com um clássico não precisa (às vezes nem deve) ser na versão original.

 

“Concordo bastante com a definição de C.S Lewis, que afirma que dizendo que um clássico infanto-juvenil é aquele cuja primeira leitura pode ser feita na infância.”

 

Para começar essa navegação desde cedo, é preciso buscar boas adaptações.E são elas que vamos trazer para você, a partir de agora, uma vez por mês!

 

E o primeiro escolhido foi… Gulliver!

 

A história de Gulliver contada por Jonathan Cole

 

Jonathan Swift, autor de As histórias de Gulliver nasceu na Irlanda, em 1667. Gulliver, sua obra de maior destaque, foi publicada em 1726. A história se passa no início do século XVIII. O Brasil tinha sido descoberto há pouco mais de 200 anos, mas Portugal e Espanha começavam a decair como potências imperialistas. Era a época das grandes navegações, a ideia colocar os navios ao mar para comercializar, conquistar e colonizar. E a Inglaterra estava bem preparada para isso.

Leonel Gulliver era um médico que trabalhava a bordo desses grandes navios que rodavam o mundo em busca de novas mercadorias. Mesmo com o desenvolvimento de instrumentos de navegação, o mar ainda era um lugar cheio de perigos e, volta e meia, um navio acabava indo parar em ilhas distantes e lugares desconhecidos.

Pois é isso que acontece com Gulliver. Depois de um grande naufrágio, o médico acaba indo parar em Lilipute, ilha os habitantes eram tão pequenos que cabiam na palma de sua mão. Lá ele é levado ao rei, faz amigos, se torna querido e descobre que a ilha está em guerra com sua vizinha Blefuscu. Sabe por quê?

“Em Lilipute, acreditava-se que, ao comer um ovo cozido, devia -se começar pela extremidade menor. Já os habitantes de Blefuscu pensavam que o certo era comer o lado grande primeiro.”

 

Um belo motivo para a guerra, não? Além de descrever povos, culturas e sistemas de governo diferentes, uma das características mais marcantes da obra é tratar o tema da guerra e das disputas humanas com ironia e sarcasmo.  

Outras aventuras de Gulliver 

Essa edição ainda narra Gulliver desembarcado em uma cidade de homens gigantes onde ele vive fazendo graça para distrair o povo da corte. Em outra aventura, ele passa por uma cidade onde os governantes são cavalos serenos e inteligentes. Os inimigos são seres bípedes e peludos que vivem declarando guerra por qualquer coisa, por isso devem permanecer presos. Após ir parar em uma ilha voadora, Gulliver descobre que seus cidadãos só pensam em Matemática e que precisam de funcionários que lhes deem tapas no rosto quando estiverem muito distraídos.

Enfim, é uma obra fantástica, reflexiva,  uma aula de antropologia e política. Mesmo sendo um tema tão adulto e complexo, a história é o maior barato e essa edição cabe perfeitamente para uma leitura compartilhada com leitores autônomos. Eu li para a minha turma de quarto ano e foi um sucesso.

As ilustrações são de Sara Odi, quase não usam fundo e trazem diversas vezes os personagens recortados. São poucas cores, mas fortes o suficiente. O foco é nas diferenças de tamanho e das características entre os personagens.

O projeto gráfico da Editora Galera Record é tão gostoso que faz a gente querer agarrar o livro e levá-lo para todos os lugares. As páginas são amareladas e grossas, dando gosto de história antiga.

E aí, aceita ir comigo nessa viagem? Vamos mergulhar no mundo dos clássicos?

 

*Editora Objetiva

Sobre o autor

Isabella Zappa

Isabella Zappa

Pedagoga, psicopedagoga e mestre em Educação pela PUC-Rio. Atua como professora do Ensino Fundamental I e faz atendimento psicopedagógico de crianças com questões de leitura e escrita, usando a literatura infantil como aliada nesse processo.

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