Literatura

LER – Salão Carioca do Livro

LER 2018

Imagine passar um final de semana imerso em livros, leituras e conversas sobre Literatura. Foi isso que aconteceu no LER – O Salão Carioca do Livro, que teve como cenário a deliciosa e aconchegante Biblioteca Parque, no Rio de Janeiro.

Como um oásis em meio ao caos e à violência que o Rio vive atualmente, o evento foi fonte de água pura e corrente. As mesas aconteciam simultaneamente sobre os mais variados temas literários: desde o movimento negro na Literatura brasileira a como lançar seu livro pelos meios digitais, passando por contações de histórias, saraus de poesia, performances e exposições de editoras e livrarias. A programação era tão intensa que ficava difícil escolher. O bom da Literatura é que ela é eclética.

A Biblioteca Parque

Nunca havia estado na grandiosa Biblioteca Parque (sim, uma falha de caráter dessa carioca que vos fala) e não tinha a dimensão do quanto esse espaço era (e ainda é) um paraíso literário em meio à selva de concreto. Com um acervo fantástico, espaços amplos, dinâmicos, integrados e multimídias; é impossível pensar no LER sem a magia desse espaço, que por dois anos se manteve fechado. É impossível pensar também, como esse lugar tão democrático e agregador, idealizado por Darcy Ribeiro, pôde ficar fora da rotina dos cariocas por tanto tempo. A informação é de que ela será aberta no próximo dia 28. A população aguarda ansiosa.

 

 

A sede do evento foi estava repleta de banners com frases sobre o poder da leitura, a grande estrela do evento. A cada esquina a gente esbarrava com uma inspiração e mergulhava ainda mais nesse mar de letras.

 

 

Programação Infantil

Com a curadoria espetacular e incansável de Volnei Canônica e Veronica Lessa, as mesas sobre LIJ debateram e homenagearam grandes temas e autores do livro para a infância.

Na sexta feira, dia 18, uma linda homenagem à obra de Ana Maria Machado e Marina Colassanti. No domingo, os homenageados Ziraldo e Roger Mello reuniram uma multidão no pátio central da Biblioteca. Pra quem não sabe, Roger foi o único brasileiro a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, o principal prêmio da Literatura Infantil mundial. Em um dos espaços do evento ainda havia uma exposição com gravuras originais de Roger. Um deleite!

 

Foi no sábado que passamos mais tempo no evento. O espaço infantil “Era uma vez” não tinha cadeiras e sim pufes e almofadas para que a gente deitasse e rolasse.  Começamos ouvindo Renato Moriconi e Stella Barbieri falando da imagem, de suas obras, seus processo criativos, inspirações.

Renato Moriconi e Stella Barbieri


Renato trouxe sobre
Bárbaro, Telefone Sem Fio de Dia de Festa, (livros que a gente adora) e foi relembrando a maneira como foram criados. Esses momentos são incríveis, porque a gente se aproxima do autor, da história da criação da obra e dá um outro sentido para a leitura do livro. Saber que Bárbaro teve como inspiração uma saudade que Renato sentia da família ressignifica e faz a gente olhar para a narrativa de uma maneira ainda mais afetiva.

Stella anda se arriscando na ilustração. Companheira de Fernando Viella, foi a única brasileira a ter uma ilustração selecionada para a Feira de Bolonha 2018. Isso porque ela está apenas começando… A escritora foi nos mostrando um de seus próximos projetos em seu caderno de desenhos. O peixe será o personagem dessa história que tem um quê de Cinderela.

Lúcia Hiratsuka e Fernando Vilela

Em seguida, ouvimos a serena Lúcia Hirastuka, que trouxe a pequena Orie e o seu novo lançamento Chão de Peixes. Lúcia contou que Orie é a história de sua própria avó, que a ensinou a desenhar e a contar histórias. As narrativas de Lúcia têm suas memórias como fio condutor e esse foi o gancho para  Chão de Peixes, livro que eu tinha acabado de ler e pelo qual ainda estava inebriada.

Chão de peixes traz as lembranças da infância de Lúcia em seu sítio no interior. Ela contou que a avó a ensinou a desenhar um peixe no chão e que depois disso ela nunca mais parou. A obra traz pequenos poemas e discretas ilustrações em Sumiê, uma técnica japonesa que ela demonstrou no evento com maestria. Pudemos refletir e perceber os silêncios e espaços que a ilustração oriental no traz. O minimalismo faz parte da cultura japonesa e isso se reflete na arte. O público foi ao delírio com as demonstrações de Lúcia que, com cinco ou seis traços e ponto vermelho, criou um belo pássaro.

Fernando Vilela trouxe Lancelote, Lampião e seus carimbos. Nos relatou sobre a ideia de juntar esses dois personagens tão icônicos. O autor também contou sobre a trajetória do livro, a maneira como ele foi feito e fez uma demonstração de sua técnica. Fernando faz incisões em borrachas escolares, fazendo delas carimbos. Esses carimbos vão criando formas e personagens.

Em uma mesa posterior, Fernando mostrou Simbad, o Marujo e mostrou outra técnica, a de soprar as tintas depois de as colocar no papel. Nessa mesa, que Fernando dividiu com Stella, os dois falaram sobre suas parcerias, seus cotidianos e processos criativos. Os dois, que são casados, trabalham juntos e dividem um mesmo ateliê. Eles disseram que sempre é fácil, pois há uma preocupação com a qualidade do trabalho do outro, mas a gente vê, através das obras, que a parceria é um sucesso! Stella e Fernando foram entraram em ação e desenharam para o público.Foi um privilégio vê-los trabalhando. E eu ainda foi a sortuda a ganhar a ilustração feita na hora.

Vejam o vídeo de Fernando em ação!

 

 

 

Roger Mello e Felipe Cavalcanti

No domingo foi a vez de ouvir Roger Mello e Felipe Cavalcante sobre sua nova obra, Clarice. Roger escreveu e chamou seu sobrinho para ilustrar o olhar de uma menina sobre a ditadura militar. A história se passa na cidade de Brasília. Os autores coletaram depoimentos, ouviram histórias e criaram uma ficção sobre essa página infeliz da nossa história. Conhecer Roger foi uma das tantas alegrias desses dias, uma pessoa leve com uma energia incrível, detentor de um sorriso desbravador. Não é à toa o poder de seus desenhos.

Terminei esses dias com cansaço no corpo e esperança na alma. Esperança de que o Rio de Janeiro supere esse momento, esperança de que podemos formar mais leitores e com isso transformar as pessoas e o mundo através da Literatura. Esperança no poder dessa gente que tanto luta pela nossa cidade e pelo nosso país através da cultura.

 

Que venha o LER 2019!

Sobre o autor

Isabella Zappa

Isabella Zappa

Olá, eu sou Isabella, autora do Na Corda Bamba! Fiz minha graduação e mestrado em Educação na PUC-Rio e uma pós graduação em Psicopedagogia. Além de escritora e poeta, sou professora de Ensino Fundamental I . Meu grande objetivo é formar leitores e escritores! Por isso, livros, letras e poesia transbordam nas minhas aulas!

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