Contos de Fadas Leitor Autônomo Leitor Iniciante Literatura

Lendo clássicos: As aventuras de Pinóquio

As aventuras de Pinóquio

 

Quando você pensa em Pinóquio, qual é a primeira coisa que te vem em mente?

A mentira, acertei? Pois a história da marionete de madeira vai muito além de um nariz que cresce.

Pinóquio é uma criança como várias que você conhece. Como o seu filho, seu sobrinho, seu aluno, seu afilhado e aí não tem distinção de gênero. Pinóquio quer ter seus desejos atendidos, suas vontades saciadas, seu prazer acima das obrigações. É um menino que não quer ir para a escola.

A história do italiano Carlo Collodi fala, acima de tudo, da infância e da humanidade, da tentativa de uma criança de ser tornar um bom menino (que é exigido de todos nós o tempo todo). Fala de desobediência, generosidade, das coisas que dão certo, das furadas que a gente entra quando vai pela cabeça dos outros e também das mentiras.

 

Segundo o escritor Ítalo Calvino, “um clássico é um livro que nunca esgota tudo o que tem a dizer a seus leitores.”  E esse livro ainda tem muito a nos dizer, principalmente sobre a infância.

 

É difícil escrever uma resenha sobre essa obra porque ela me comoveu bastante. Quem é cercado por crianças sabe o quanto é difícil encontrar o equilíbrio entre o desejo e a necessidade, o ponto certo do corte, do suporte. E todos queremos que eles sejam bons cidadãos, pessoas éticas, generosas e amorosas. E todos sabemos também o quanto é difícil educar. O quanto erramos, a culpa que nos transpassa, os obstáculos que nos levam à exaustão.

 

Eu já tinha encomendado a minha edição das Aventuras de Pinóquio antes de começar o curso sobre os clássicos na PUC. Quando soube que seria uma das obras lidas, resolvi ler junto com as crianças em sala de aula. E o resultado foi o melhor possível: olhos grudados em mim, ouvidos atentos à história e suspiros decepcionados a cada vez que a marionete entrava em mais uma furada. É impossível não se identificar com o boneco, uma criança em formação, que erra tentando acertar e acaba se envolvendo nas maiores confusões.

 

 

 

Pinóquio e o desenvolvimento infantil

Segundo as teorias do desenvolvimento de Piaget, até cerca de 7 ou 8 anos a criança tem um pensamento egocêntrico, ou seja, seus desejos e vontades são o centro de suas ações. Nessa transição ela ainda ainda está construindo a noção de diferença entre ela e o mundo que vive. Enxergar e compreender o outro e compreender as demandas do mundo ao seu redor é uma tarefa difícil e é por esse momento que Pinóquio está passando.

A marionete está em pleno processo de construção moral:  aprendendo as regras, os valores, as normas sociais e por isso a escola é o ponto central da narrativa. Do jeito que compreendemos a infância hoje em dia ela está diretamente associada à escola. Toda criança deve passar pela escola e dela retirar diversas aprendizagens.

Essa construção não é linear, é realmente uma corda bamba, onde há e equilíbrios e desequilíbrios, erros e acertos, idas e vindas.  

Pinóquio aponta para essas questões e com isso acerta em cheio coração das crianças. 

Segundo a pesquisadora Thatty Branco, a história relata uma tensão entre a infância transgressora, selvagem e a infância moldada, moralizada, socialmente desejável para a época. E não é por essa batalha que passam todas as crianças?

Pinóquio fala essencialmente de humanidade, da nossa dificuldade em equilibrar prazeres e obrigações, desejos e necessidades, é a arte possibilitando um lugar seguro para os nossos medos, reflexões e descompassos.

Carlo Collodi

Carlo Collidi era o pseudônimo do italiano Carlo Lorenzini, jornalista e escritor italiano que nasceu na cidade de Florença em 1826. Em 1881 começa a publicar fascículos de um folhetim em um jornal infantil que tinham como título A história de um boneco. Essa história fez tanto sucesso que, posteriormente se tornou um livro, o nosso clássico As aventuras de Pinóquio.

Quer conhecer outros clássicos do Na Corda Bamba? Clique aqui.

 

Edições

A edição que escolhemos para ler e fazer essa resenha foi publicada pela editora Companhia das Letrinhas com o texto original de Carlo Collodi e a tradução deliciosa da escritora Marina Colassanti. Uma boa tradução é um ítem essencial na escolha das edições dos clássicos. Com a de Marina, o texto fica leve a linguagem adequada para uma leitura compartilhada com leitores iniciantes e autônomos. A capa e alguns desenhos no interior são do talentoso ilustrador Odilon Moraes. Ou seja, uma edição cem por cento brasileira.

A outra edição que recomendamos é a da Editora Globo, que também traz o texto original,  tem capa dura, tamanho maior e as páginas são permeadas pelas deslumbrantes ilustrações de Quentin Gerbán.

Indicamos a leitura compartilhada pois a obra abre espaço para a discussão de temas importantes na formação das crianças. Uma boa leitura também dá asas à boas conversas. E esse é um assunto que não acaba.

Boa leitura e boas conversas!

As aventuras de Pinóquio

Carlo Collodi

Tradução: Marina Colassanti

Ilustrações: Odilon Moraes

Editora Companhia das Letrinhas

Preço Médio: R$ 32,00

 

As aventuras de Pinóquio

Carlo Collodi

Tradução: Pedro Faleiro Heise

Ilustrações: Quentin Gerbán

Editora Globo

Preço Médio: R$ 32,00

 

Sobre o autor

Isabella Zappa

Isabella Zappa

Olá, eu sou Isabella, autora do Na Corda Bamba! Fiz minha graduação e mestrado em Educação na PUC-Rio e uma pós graduação em Psicopedagogia. Além de escritora e poeta, sou professora de Ensino Fundamental I . Meu grande objetivo é formar leitores e escritores! Por isso, livros, letras e poesia transbordam nas minhas aulas!

Deixe um comentário