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Gente de Cor, cor de gente

 

Representatividade

Já disse por aqui algumas vezes: nosso país é um país de maioria negra, mas ainda nos representamos como brancos. Somos um país de maioria negra que é racista. Somos um país de maioria negra que extermina negros todos os dias. Precisamos mudar isso e transformar a sociedade em que vivemos. Minha pequena contribuição é através da Literatura. É ela que nos dá a oportunidade de nos colocarmos no lugar do outro, de vivermos outras vidas que não a nossa, de refletirmos sobre a realidade e mudar nosso comportamento.

Precisamos de livros com personagens negros, que falem da cultura africana, que faz parte da nossa, livros nos quais a maioria das crianças se enxergue, sejam elas negras ou brancas. Somos gente.

Há pouco tempo, no Rio de Janeiro, um homem negro foi brutalmente assassinado pelo exército. Precisamos da Literatura para que isso não continue a acontecer. 

Gente de Cor Cor de Gente

Esse livro me gerou um impacto profundo.

Começa pela folha de guarda, um emaranhado de gente sem rosto, uma mancha amarronzada entre poucos tons mais claros. Esse é o Brasil.

O livro não tem texto, não é preciso. As imagens nos perfuram a cada página dupla. De um lado um rosto negro, fundo cor de pele (pele de quem?). Do outro, um rosto branco, azul, amarelo, verde, representando uma expressão oral, daquelas que a gente usa com cor, sabem? Amarelo de medo, vermelho de raiva, verde de fome, azul de frio. Os rostos têm cores diferentes, mas o mesmo sentimento. Por que será? A páginas são tomadas pelos rostos e podemos que todos têm dois olhos, nariz, boca, cabelo, pescoço. Mas a cor é diferente, só.

Um livro extremamente necessário para todos os dias, todos as crianças de todas as idades, todos os adultos, todos. Para que nossa sociedade preconceituosa e escravocrata possa se transformar, enxergar que todos somos humanos, que nenhum deles merece levar 80 tiros por uma suspeita, nem por uma confirmação. A carne negra não pode ser a mais barata do mercado. Vidas são vidas e todas elas sentem medo, frio, fome, raiva, alegria, coragem, medo. O sangue de todas elas é vermelho. Todas importam. Precisa de mais desenho pra entender?

Conversando sobre a obra

Eu li e discuti esse livro em sala de aula com meus alunos de 4o ano. Sim, eles são maiores, mas é um livro palatável a todas as idades, mesmo que seja para observar, inventar a história, ver gente de todas as cores. Os alunos perceberam que todos têm o mesmo formato de rosto, compreenderam que somos iguais e diferentes, que a população é misturada. A gente não precisa interferir muito na fala deles, um acaba ajudando o outro a entender.

Boa leitura e excelentes conversas !

 

Sobre o autor

Isabella Zappa

Isabella Zappa

Olá, eu sou Bella, criadora do Na Corda Bamba! Sou pedagoga, psicopedagoga e mestre em Educação. Atualmente trabalho como professora de Ensino Fundamental I aqui no Rio de Janeiro.
Sou uma viajante literária e geográfica, adoro comida italiana, cheiro de mato e o canto dos passarinhos.

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